13ª edição do IWTR confirma Fátima como destino global de Turismo Religioso atingindo 1,28 milhões de dormidas em 2025
Com a presença de 132 buyers, 136 suppliers, 41 expositores e participantes de 42 países, num total de 35 mercados emissores, arrancou esta quinta-feira, 19 de fevereiro, em Fátima, a 13ª edição do Workshop Internacional de Turismo Religioso, com a sessão de abertura a ser marcada pelas referências ao impacto das tempestades na região Centro do país.
Na sessão de abertura, o Reitor do Santuário de Fátima, Padre Carlos Cabecinhas, começou por recordar o “início difícil” do ano, pelas intempéries que atingiram o país e que “não deixarão de ter reflexos na atividade turística da região”, para deixar aos participantes uma mensagem de esperança pela contribuição que o turismo religioso pode ter na recuperação do território e das suas atividades: “Cabe-nos procurar que o turismo religioso seja o motor de recuperação de toda esta área profundamente atingida. Estou convencido que o poderá ser”.
Referindo-se ao papel de Fátima como principal destino de turismo religioso, Carlos Cabecinhas, anunciou que o Santuário de Fátima vai lançar, no dia 12 de outubro, início da última das grandes peregrinações do ano, o certificado do Peregrino de Fátima, iniciativa que “pretende promover a prática da peregrinação, valorizar os caminhos de Fátima, (…) e valorizar Fátima como meta desses caminhos”.
“O turismo religioso é hoje um segmento estratégico para Portugal, contribuindo para a diversificação da procura, a internacionalização dos destinos e a criação de valor económico nos territórios” – Pedro Mafra
Pedro Mafra, presidente da ACISO, entidade organizadora do evento, começou por falar na importância do Workshop Internacional de Turismo Religioso, refletida nos números que apontou, sem no entanto esquecer o impacto da tempestade Kristin na região.
“Hoje reunimos aqui 132 buyers, 136 suppliers, 41 expositores e participantes provenientes de 42 países, num total de 35 mercados emissores apresentados pelos operadores turísticos internacionais”, informou Pedro Mafra, frisando que estes números “demonstram a dimensão e o impacto crescente do IWRT, mas, acima de tudo, refletem a confiança que o setor deposita nesta economia”.

Para o presidente da ACISO “mais importante do que os números é o impacto que geram, impacto económico, impacto promocional e impacto na criação de relações de longo prazo entre destinos e operadores turísticos”, uma vez que, durante o evento, “constroem-se parcerias, negoceiam-se programas e definem-se fluxos turísticos para Portugal”.
Frisando que “Fátima continua a afirmar-se como um destino global”, o presidente da ACISO adiantou que “em 2025 recebemos 6,5 milhões de peregrinos”, um número que reforça o “posicionamento internacional” de Fátima, também ao nível da atividade turística, com o concelho a registar cerca de 1,28 milhões de dormidas, mais 2% do que em 2024. Estes dados, disse, “confirmam que o turismo religioso é hoje um segmento estratégico para Portugal, contribuindo para a diversificação da procura, a internacionalização dos destinos e a criação de valor económico nos territórios”.
Pedro Mafra referiu-se também ao impacto da depressão Kristin na região, fazendo um agradecimento público ao trabalho do município de Ourém, à Proteção Civil, às Forças de Segurança e de Socorro, funcionários e população que “de forma solidária se mobilizou para apoiar quem mais precisava” e está a ajudar a região a reerguer-se.
“O turismo religioso combate também a sazonalidade, distribui fluxo pelo território, aumenta a estada média, atrai mercados de longa distância, reforça a tão falada coesão territorial e ajuda-nos a responder aos nossos desafios estruturais” – Rui Ventura
Também na sessão de abertura do evento, o presidente da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, começou por assinalar que o Workshop Internacional de Turismo Religioso “é hoje a maior bolsa de contatos mundial dedicada ao turismo religioso”, sendo, igualmente, “um espaço de reflexão sobre algo que não cabe apenas nas estatísticas: a espiritualidade, a memória e o sentido da viagem”.
Para Rui Ventura, “Fátima é um ativo global” que recebe visitantes de todos os continentes, durante todo o ano, sendo, além de um destino, uma “porta de entrada para o Médio Tejo, para o Centro de Portugal, para o interior, para a nossa diversidade cultural e paisagística”.
Recordando que “2025 foi o melhor ano turístico de sempre no Centro de Portugal”, que atingiu 8,5 milhões de dormidas, e 552 milhões de euros de proveitos, Rui Ventura sublinhou que os resultados “são fruto de uma estratégia consistente de diversificação de produto, de qualificação da oferta internacional sustentada”.

Apesar dos números positivos, abrem-se novas dificuldades, como as resultantes da depressão Kristin que “afetou dramaticamente vários territórios do Centro de Portugal. Há infraestruturas danificadas, há empresários a precisar de apoio, há um esforço coletivo de recuperação em curso e a reação de todos foi imediata”. Rui Ventura deixou uma palavra de esperança na recuperação da região “porque temos resiliência, temos visão estratégica”.
Referindo que o Plano Regional de Desenvolvimento Turístico identifica o turismo espiritual e religioso como um dos cinco pilares estruturantes para a região, o responsável afirmou que “temos ativos únicos”, como os Caminhos de Fátima, os Caminhos Portugueses de Santiago, os Altares Marianos, o património das ordens religiosas e a herança judaica na Beira interior.
“O turismo religioso combate também a sazonalidade, distribui fluxo pelo território, aumenta a estada média, atrai mercados de longa distância, reforça a tão falada coesão territorial e ajuda-nos a responder aos nossos desafios estruturais”, disse Rui Ventura, defendendo que a região não deve ser um destino de massas, devendo crescer pelo lado do valor: “Queremos crescer melhor, crescer com identidade, crescer com autenticidade”, frisou, destacando que este workshop internacional é exemplo disso mesmo.


